Ele: Vem aqui!
Eu: Peraí, tô noutra vibe!
Ele: ...
Eu: (em ligação direta com o teatro mágico sem mediações)
Ele: Hahahahaha (rindo de um programa na tv)
Eu: (concentrada na desconstrução)
Ele: ...
Eu: (lutando para me desconstruir)
Ele: ...
Eu: (tentando me reconstruir)
Ele: ...
Eu: (em processo de desconstrução e construção)
Ele: ...
Eu: (suando)
Ele: (com cara de "poucos amigos")
Eu: (sem saber o que tô fazendo)
Ele: ...
Eu: (tentando retornar ao mundo real)
Ele: hahahahaha (rindo)
Eu: (cansada)
Ele: ...
Eu: (Puta que pariu!)
Ele: ...
Eu: (Putz, não preciso nem beber pra me perder! Que saco!)
Fim.
Procurando rumo...
Este blog tem o propósito de registrar meus gritos existenciais nesse mundo que não me cabe. Espero que muitos, poucos ou apenas um conforte-se em saber que não é único nesta sensação de não-pertencimento ao padrão social e que o blog sirva de espaço para outros gritos que não somente os meus.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Eu não me encaixo, pronto!
Desculpe, queridos protótipos existenciais humanos subjetivos parciais, mas eu não me encaixo em nenhum estereótipo nos quais os pequenos indivíduos (que vista a carapuça, quem quiser!) tentam me enquadrar dia e noite.
Sinto decepcioná-los, mas nada do que falam me satisfaz, porque não sou nem metade, nem todo, nem tudo, nem nada, nem esquerda, nem direita, nem qualidade, nem quantidade, nem 8 ou 80. Não vivo a 100 km/h nem a 10...
E depois de gritar isso, ainda tem alguns que dizem: "Melhor viver no limite do que em cima do muro" ou algo neste sentido, seja como for, o conteúdo, nem a forma deste texto me interessam. Interessa-me apenas viver e não definir.
Sinto sede de sentir. A falta, portanto, já me faz existir. Mas que porra é essa?
Não preciso saber. Queria, apenas, não ser reduzida a frases, interpretações, leituras diversas ou percepções que brotam da superficialidade, da pequenez da experiência de uma vida de 20, 30, 40...90 anos!
Céus, salve a humanidade!
Sinto decepcioná-los, mas nada do que falam me satisfaz, porque não sou nem metade, nem todo, nem tudo, nem nada, nem esquerda, nem direita, nem qualidade, nem quantidade, nem 8 ou 80. Não vivo a 100 km/h nem a 10...
E depois de gritar isso, ainda tem alguns que dizem: "Melhor viver no limite do que em cima do muro" ou algo neste sentido, seja como for, o conteúdo, nem a forma deste texto me interessam. Interessa-me apenas viver e não definir.
Sinto sede de sentir. A falta, portanto, já me faz existir. Mas que porra é essa?
Não preciso saber. Queria, apenas, não ser reduzida a frases, interpretações, leituras diversas ou percepções que brotam da superficialidade, da pequenez da experiência de uma vida de 20, 30, 40...90 anos!
Céus, salve a humanidade!
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Teste do ceguinho
Prometi a parte 2 do texto "Quanto tempo você consegue ficar na indecisão?". Mas eis que surgiu um tema mais urgente. Para mim, óbvio!
Envolvida pelo inspirado texto de Gustavo Gitti em seu blog nao2nao1.com.br (http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-beleza-ou-breve-ensaio-sobre-a-estetica-nos-relacionamentos-parte-1/), decidi escrever sobre uma experiência que fiz na brincadeira, mas que se tornou marcante diante dos meus sentidos sobre a vida: o teste do ceguinho.
Este teste consiste em experimentar, na prática, um outro sentido que não a visão por um certo tempo. Em um passeio da sala de aula até a biblioteca da Universidade, decidi fechar os olhos e seguir todo o caminho experienciando os outros sentidos como a audição, o olfato e o tato.
O resultado foi uma vontade de passar mais tempo naquela condição.
De repente, não era mais a beleza das coisas ao meu redor que me atraía, e sim a tonalidade e a entonação da voz do ambiente por onde ia sendo guiada. Prestei mais atenção, então, às variações entoantes das palavras e no timbre das vozes. Percebi que a voz do amigo que me guiava era mais grave do que eu costumava perceber.
A voz das pessoas parecia mais real, mas próxima de mim. Ouvir pareceu bem mais fácil e gratificante, pois agora eu não tinha a visão para me distrair da conversa. Conseguia entender as pausas, as respirações e o tempo da fala.
Foi realmente uma experiência incrível. Enquanto caminhávamos, percebi o som dos passos dos transeuntes que passavam por nós. Sinceramente, nunca tinha reparado no som das caminhadas das pessoas. E elas dizem muito.
Denunciam a pressa quando alguém pisa forte e em passos rápidos; a calma quando passa devagar; o desprendimento quando pisa fora de ritmo e em batidas diferentes; a ansiedade quando uma perna balança freneticamente no mesmo lugar ou quando as passadas batem rápido numa circunferência interminável.
Descobri que existem inúmeras maneiras de caminhar e o jeito particular de cada um passar uma perna e depois a outra dizem muito sobre quem você é hoje.
O teste do ceguinho abriu as portas dos meus sentidos secundários que andavam ofuscados pela ditadura da visão. Afinal de contas, os seres humanos são 70% visuais. Por isso, somos escravos da imagem padrão dos signos perfeitos, da forma ideal das coisas e que podem ser as mesmas que não agradam ao tato ou ao paladar quando vistas na intimidade. Sim, porque abraçar uma pessoa magérrima (sem ofensas a quem é magro por natureza!) que está nos padrões de beleza atuais não é tão bom quanto apenas vê-la na foto do facebook. A textura dos cabelos alisados e tingidos não é sentido na estampa dos outdoors, mas sua beleza, vista de longe, é impecável, digna de inveja.
Sugiro, apenas, que a vida avance os limites da quarta parede de Bertold Brecht e se deixe conhecer pelas sensações de ser tocado por perspectivas distintas de vida, possibilitando novas visões de mundo.
Envolvida pelo inspirado texto de Gustavo Gitti em seu blog nao2nao1.com.br (http://nao2nao1.com.br/meu-corpo-sobre-a-beleza-ou-breve-ensaio-sobre-a-estetica-nos-relacionamentos-parte-1/), decidi escrever sobre uma experiência que fiz na brincadeira, mas que se tornou marcante diante dos meus sentidos sobre a vida: o teste do ceguinho.
Este teste consiste em experimentar, na prática, um outro sentido que não a visão por um certo tempo. Em um passeio da sala de aula até a biblioteca da Universidade, decidi fechar os olhos e seguir todo o caminho experienciando os outros sentidos como a audição, o olfato e o tato.
O resultado foi uma vontade de passar mais tempo naquela condição.
De repente, não era mais a beleza das coisas ao meu redor que me atraía, e sim a tonalidade e a entonação da voz do ambiente por onde ia sendo guiada. Prestei mais atenção, então, às variações entoantes das palavras e no timbre das vozes. Percebi que a voz do amigo que me guiava era mais grave do que eu costumava perceber.
A voz das pessoas parecia mais real, mas próxima de mim. Ouvir pareceu bem mais fácil e gratificante, pois agora eu não tinha a visão para me distrair da conversa. Conseguia entender as pausas, as respirações e o tempo da fala.
Foi realmente uma experiência incrível. Enquanto caminhávamos, percebi o som dos passos dos transeuntes que passavam por nós. Sinceramente, nunca tinha reparado no som das caminhadas das pessoas. E elas dizem muito.
Denunciam a pressa quando alguém pisa forte e em passos rápidos; a calma quando passa devagar; o desprendimento quando pisa fora de ritmo e em batidas diferentes; a ansiedade quando uma perna balança freneticamente no mesmo lugar ou quando as passadas batem rápido numa circunferência interminável.
Descobri que existem inúmeras maneiras de caminhar e o jeito particular de cada um passar uma perna e depois a outra dizem muito sobre quem você é hoje.
O teste do ceguinho abriu as portas dos meus sentidos secundários que andavam ofuscados pela ditadura da visão. Afinal de contas, os seres humanos são 70% visuais. Por isso, somos escravos da imagem padrão dos signos perfeitos, da forma ideal das coisas e que podem ser as mesmas que não agradam ao tato ou ao paladar quando vistas na intimidade. Sim, porque abraçar uma pessoa magérrima (sem ofensas a quem é magro por natureza!) que está nos padrões de beleza atuais não é tão bom quanto apenas vê-la na foto do facebook. A textura dos cabelos alisados e tingidos não é sentido na estampa dos outdoors, mas sua beleza, vista de longe, é impecável, digna de inveja.
Sugiro, apenas, que a vida avance os limites da quarta parede de Bertold Brecht e se deixe conhecer pelas sensações de ser tocado por perspectivas distintas de vida, possibilitando novas visões de mundo.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Tu consegues ficar na indecisão, quanto tempo?
"Quanto tempo você consegue ficar na indecisão?"
Decidir sobre algo que mudará nossa vida por completo é uma tarefa árdua, que exige uma boa medida de paciência, angústia, medo e ansiedade. Se for de maneira sensata, você vai ganhar também um milhão e meio de perguntas do tipo: por que, para que, como, para quem, quando, quanto, será?. E as mesmas vem com uma cobertura de um longo tempo de observação antes das respostas. Isso, se elas surgirem.
Por isso, além de todos os prejuízos psicofisiológicos, a indecisão demanda TEMPO. E eis que surge o grande vilão do mundo capitalista e do nosso equilíbrio mental, espiritual e corporal de hoje.
O tempo não cabe mais em nosso cotidiano, é fato! Não temos tempo para refletir, para respirar antes de subir mais uma escada na estrada da vida, para se arrepender, para desistir e recomeçar, para escrever este texto de forma mais coerente e concisa etc.
E assim vamos passando batido pelos versos e revessos da vida, sem perceber em que caminho estamos e o que verdadeiramente buscamos.
O "quanto tempo você consegue ficar na indecisão?" é paradoxal, pois não há TEMPO necessário para a melhor decisão. Se é que ela existe mesmo. O TEMPO não é nem garantia do não arrependimento, da diminuição do sofrimento ou da salvação.
E o que ele é mesmo, então?
Talvez uma alavanca que nos empurra para o inevitável ou uma trava que emperra os nossos passos. Tudo vai depender do ponto de vista e da construção do eu de cada indivíduo.
Na minha visão, ele é uma alavanca e o vilão é a nossa individualidade.
Hummm...um bom tema para o próximo post.
Vou dar pulos e não passos com o tempo, então.
Até mais!
To be continued...
Decidir sobre algo que mudará nossa vida por completo é uma tarefa árdua, que exige uma boa medida de paciência, angústia, medo e ansiedade. Se for de maneira sensata, você vai ganhar também um milhão e meio de perguntas do tipo: por que, para que, como, para quem, quando, quanto, será?. E as mesmas vem com uma cobertura de um longo tempo de observação antes das respostas. Isso, se elas surgirem.
Por isso, além de todos os prejuízos psicofisiológicos, a indecisão demanda TEMPO. E eis que surge o grande vilão do mundo capitalista e do nosso equilíbrio mental, espiritual e corporal de hoje.
O tempo não cabe mais em nosso cotidiano, é fato! Não temos tempo para refletir, para respirar antes de subir mais uma escada na estrada da vida, para se arrepender, para desistir e recomeçar, para escrever este texto de forma mais coerente e concisa etc.
E assim vamos passando batido pelos versos e revessos da vida, sem perceber em que caminho estamos e o que verdadeiramente buscamos.
O "quanto tempo você consegue ficar na indecisão?" é paradoxal, pois não há TEMPO necessário para a melhor decisão. Se é que ela existe mesmo. O TEMPO não é nem garantia do não arrependimento, da diminuição do sofrimento ou da salvação.
E o que ele é mesmo, então?
Talvez uma alavanca que nos empurra para o inevitável ou uma trava que emperra os nossos passos. Tudo vai depender do ponto de vista e da construção do eu de cada indivíduo.
Na minha visão, ele é uma alavanca e o vilão é a nossa individualidade.
Hummm...um bom tema para o próximo post.
Vou dar pulos e não passos com o tempo, então.
Até mais!
To be continued...
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Hoje!
Inspirada pelo clipe e música "Não vou me adaptar" de Arnaldo Antunes em parceria com Nando Reis, inicio meu primeiro post falando sobre Adaptação.
Adaptar-se, reestabelecer o equilíbrio entre o organismo e o ambiente. Organismo aqui referido, sou eu e você que acompanha este post.
Para início de conversa, para escrever neste blog já estou praticando uma adaptação, pois preciso transformar o pensamento em frases e depois em estímulos para o cérebro que envia ordens para as minhas mãos teclarem cada letra de cada palavra no teclado do computador.
A adaptação, então, está presente em tudo que fazemos. Estamos o tempo todo nos movimentando e nos adaptando às exigências do cotidiano. Assim, estamos nos adaptando ao século XXI. Mais especificamente, ao tempo "corrido" da informação.
Estamos na era da "Velocidade Máxima". Construímos relações com o outro rápido demais, de forma que não há tempo suficiente para a construção de uma base sólida e confiável. Num dia, estamos no "Muito prazer, Fulano"; no dia seguinte, somos melhores amigos.
As relações sociais, portanto, estão acompanhando a rapidez da nova era e a nova forma de escrever em, no máximo, 190 caracteres. O que já está se tornando espaço demais para alguns. E como um velho e atual ditado diz: "O que vem rápido, vai embora rápido", a informação que chega em segundos, também é esquecida e passada adiante em segundos, sem reflexão, sem o cuidado necessário com o real significado atribuído a ela.
Retornando ao conceito de adaptação, esta informação vazia não me interessa por aqui, por isso, HOJE, recuso-me a adaptar-me a esse novo jeito de expressão e comunicação.
Vou escrever textos considerados longos para o novo sujeito social, mas quem me importa são justamente aqueles que decidem ler um "grande" texto até o final, os quais, talvez, eu consiga fazer-me compreensível. E isso já será o bastante.
Obrigada!
Adaptar-se, reestabelecer o equilíbrio entre o organismo e o ambiente. Organismo aqui referido, sou eu e você que acompanha este post.
Para início de conversa, para escrever neste blog já estou praticando uma adaptação, pois preciso transformar o pensamento em frases e depois em estímulos para o cérebro que envia ordens para as minhas mãos teclarem cada letra de cada palavra no teclado do computador.
A adaptação, então, está presente em tudo que fazemos. Estamos o tempo todo nos movimentando e nos adaptando às exigências do cotidiano. Assim, estamos nos adaptando ao século XXI. Mais especificamente, ao tempo "corrido" da informação.
Estamos na era da "Velocidade Máxima". Construímos relações com o outro rápido demais, de forma que não há tempo suficiente para a construção de uma base sólida e confiável. Num dia, estamos no "Muito prazer, Fulano"; no dia seguinte, somos melhores amigos.
As relações sociais, portanto, estão acompanhando a rapidez da nova era e a nova forma de escrever em, no máximo, 190 caracteres. O que já está se tornando espaço demais para alguns. E como um velho e atual ditado diz: "O que vem rápido, vai embora rápido", a informação que chega em segundos, também é esquecida e passada adiante em segundos, sem reflexão, sem o cuidado necessário com o real significado atribuído a ela.
Retornando ao conceito de adaptação, esta informação vazia não me interessa por aqui, por isso, HOJE, recuso-me a adaptar-me a esse novo jeito de expressão e comunicação.
Vou escrever textos considerados longos para o novo sujeito social, mas quem me importa são justamente aqueles que decidem ler um "grande" texto até o final, os quais, talvez, eu consiga fazer-me compreensível. E isso já será o bastante.
Obrigada!
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